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  • Foto do escritorKcal da Science Play

Polifenóis como dietoterapia para a Endometriose

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Essa condição frequentemente resulta em dor pélvica intensa, dispareunia, sangramento uterino anormal e infertilidade, comprometendo significativamente a qualidade de vida e o bem-estar mental das pacientes. No entanto, a complexidade da etiologia da endometriose e as limitações no diagnóstico tornam o tratamento eficaz um desafio significativo.



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O que são os polifenóis?

Os polifenóis compreendem um grande grupo de compostos bioativos sintetizados por plantas e que fazem parte da dieta humana, sendo amplamente reconhecidos por seus múltiplos benefícios para a saúde, principalmente suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que são de grande importância no contexto da endometriose. Os polifenóis são classificados em seis grupos principais: flavonoides, lignanas, metabólitos não fenólicos, outros polifenóis, ácidos fenólicos e stilbenos. Os flavonoides, que constituem o maior grupo de polifenóis dietéticos, são subdivididos em nove subgrupos, incluindo antocianinas, chalconas, dihidrochalconas, dihidroflavonóis, flavanóis, flavanonas, flavonas, flavonóis e isoflavonoides. Essa classificação tem sido aplicada para organizar diferentes compostos polifenólicos estruturalmente distintos como candidatos promissores para o desenvolvimento de novas estratégias no tratamento da endometriose.

Polifenóis na Endometriose

Para abordar essa questão, pesquisas recentes sugerem que os polifenóis, um grupo de compostos bioativos encontrados em diversos alimentos de origem vegetal, podem ser a chave para o tratamento da endometriose e de seus sintomas debilitantes. Os polifenóis já demonstraram seu potencial na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares e cânceres, e estudos têm avaliado sua relação com o risco de câncer em mulheres.

Pesquisadores observaram que o consumo regular de dietas ricas em flavonoides está associado a um menor risco de câncer de mama e ovário. Além disso, uma meta-análise realizada no ano de 2020, encontrou uma correlação inversa entre a ingestão dietética elevada de fitoestrógenos (como as isoflavonas) e o risco de mortalidade e recorrência do câncer de mama. Tanto a endometriose quanto o câncer de mama são condições dependentes de estrogênio e compartilham processos celulares semelhantes, como proliferação, invasão, neoangiogênese, metástases e fatores de risco associados à reprodução. Essas semelhanças substanciais incentivam a investigação do efeito protetor de moléculas bioativas naturais contra a endometriose.

  1. Além disso, a endometriose está relacionada à inflamação sistêmica crônica, ao estresse oxidativo e a um perfil lipídico aterogênico, contribuindo para o desenvolvimento e a manutenção de doenças cardiovasculares. Meta-análises têm mostrado uma relação linear entre o aumento da ingestão dietética de flavonoides totais e um menor risco de doenças cardiovasculares. Esses padrões dietéticos ricos em compostos bioativos podem exercer efeitos benéficos também em relação à endometriose.

Os polifenóis apresentam atividades anti-proliferativas, antioxidantes, anti-inflamatórias, anti-angiogênicas, pró-apoptóticas, imunomoduladoras e moduladoras de estrogênio e podem afetar diferentes vias envolvidas na etiopatogênese da endometriose. Diante disso, oferecendo novas estratégias para o tratamento ou regressão da doença. Inúmeros estudos pré-clínicos e ensaios clínicos em endometriose têm atribuído aos fitoquímicos uma ampla gama de benefícios biológicos e descreveram os mecanismos moleculares e vias por meio dos quais eles podem influenciar efetivamente a progressão da doença. Os estudos sobre fitoquímicos terapêuticos potenciais têm se concentrado principalmente em compostos polifenólicos. A evidência disponível, proveniente de pesquisas pré-clínicas e vários estudos clínicos, indica que os compostos bioativos naturais representam candidatos promissores para o desenvolvimento de novas estratégias no manejo da endometriose.

Prática Clínica 

A incorporação de polifenóis como parte integrante das estratégias de tratamento da endometriose está ganhando destaque. Embora pesquisas promissoras tenham revelado os benefícios potenciais desses compostos bioativos na redução da inflamação, no controle do estresse oxidativo e na modulação dos processos hormonais envolvidos na endometriose, ainda existem lacunas a serem preenchidas. A escolha e a dosagem adequadas de polifenóis devem ser feitas com base na avaliação clínica individual, considerando a gravidade da doença, a resposta ao tratamento e a tolerância do paciente. Além disso, é fundamental que essas intervenções sejam multidisciplinares, visando a um manejo integrado e abrangente da endometriose. 

Referências Bibliográficas Sugestão de estudo: Vitamina D e endometriose: Existe relação? 

Assista o vídeo na Science Play com Omar de Faria: Endometriose e o impacto na fertilidade

Artigo: Polifenóis e endometriose – Gołąbek A, Kowalska K, Olejnik A. Polyphenols as a Diet Therapy Concept for Endometriosis—Current Opinion and Future Perspectives. Nutrients. 2021; 13(4):1347. https://doi.org/10.3390/nu13041347

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