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Potencial Terapêutico do Alecrim

A fitoterapia é o ramo da medicina que utiliza as plantas em sua totalidade ou seus componentes para fins medicinais para tratar ou prevenir uma infinidade de doenças. Diante disso, dentre a variedade de plantas estudantes nessa área, o alecrim ou Rosmarinus officinalis L. é uma das mais promissoras devido a sua utilidade clínica cada vez mais estabelecida associada a sua atividade antioxidante e possível papel terapêutico em doenças cutâneas. 

Dentre os extratos presentes no alecrim destacam-se o ácido rosmarínico, diterpenos fenólicos, flavonóides, e óleo essencial de alecrim. A literatura mostra que o ácido rosmarínico é amplamente estudado por apresentar propriedades anti-infecciosas, anti-oxidantes, anti-inflamatórias e imunomoduladoras, bem como por sua atividade anticancerígena. Além disso, o óleo essencial possui em certo prestígio devido ao seu potencial anti-inflamatório e ação antioxidante.

Em relação aos diterpenos fenólicos, o ácido carnósico e o carnosol são os mais relevantes do ponto de vista médico, pois apresentam potencial antioxidante e anti-inflamatório, além de apresentarem relevância devido a sua atividade reguladora do metabolismo lipídico e da glicose. 



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Ação Antioxidante 

O estresse oxidativo é o motivo patogênico principal da maioria dos distúrbios cutâneos, isso se deve ao fato de que a pele é o órgão mais amplamente e severamente exposto ao estresse oxidativo, apesar do extenso sistema antioxidante endógeno e exógeno à sua disposição. Ou seja, um dos principais agentes pró-oxidantes exógenos incluem luz ultravioleta (UV), e quando este agente exógeno é combinado com outros fatores como a poluição ambiental e estresse psicológico crônico pode acelerar os processos de pigmentação e envelhecimento da pele.

Diante disso, nas últimas décadas estudos vêm apresentando evidências sobre o potencial antioxidante do alecrim. Ou seja, tem-se investigado seus constituintes bioativos em estudos in vitro e in vivo, especialmente por seus efeitos terapêuticos promissores no fotoenvelhecimento induzido por UV, dermatite atópica e envelhecimento da pele induzido por poluição. Exemplificando, o extrato aquoso de alecrim mostrou uma elevada atividade antioxidante, anti-elastase, anti-tirosinase e anti-colagenase,

Ademais, em um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, verificou-se que a suplementação a longo prazo de Rosmarinus officinalis l. melhorou parâmetros clínico-bioquímicos os quais incluíam o aumento da elasticidade da pele, função de barreira da pele reforçada e redução da profundidade das rugas e manchas pretas nos pacientes inscritos. 

Ação Antimicrobiana 

Entre os vários conhecimentos relacionados às atividades antimicrobianas, o extrato de alecrim mostrou um desempenho positivo em vários casos. Diante disso, estudos apontam que o extrato de alecrim possui quantidades consideráveis de compostos fenólicos, flavonoides e taninos, os quais podem desencadear propriedades antioxidante e antimicrobiana, principalmente contra Staphylococcus aureus, Streptococcus oralis e Pseudomonas aeruginosa.

Além disso, o alecrim também é avaliado por suas funções antibacterianas. Sabe-se que os patógenos bacterianos possuem numerosos mecanismos virulentos que lhes permitem entrar, replicar e persistir nos locais do hospedeiro, mas com apenas alguns mecanismos comuns. Nesse sentido, o diterpeno,  ácido carnósico e carnosol, encontrados no alecrim, mostraram efeito inibitório específico sobre Staphylococcus aureus e sua expressão de gene acessador sensível ao quorum, o qual está associado aos mecanismos de virulência dessa bactéria. Em outras palavras, o diterpeno, ácido carnósico e carnosol suprimiram o sistema de comunicação célula-célula e, consequentemente, a patogenicidade do Staphylococcus aureus

Ação na Cicatrização de Feridas 

Muitas evidências científicas falam sobre o potencial terapêutico do alecrim em feridas crônicas, principalmente feridas diabéticas. Uma das evidências in vivo sobre o potencial de cicatrização de feridas do alecrim destaca o papel antifúngico que os compostos bioativos em seu óleo essencial podem desempenhar, acelerando assim o processo de cicatrização. Em relação aos retalhos cutâneos o uso de alecrim mostrou aumentar o fluxo sanguíneo resultante para o retalho evitou a temida complicação necrótica, sendo que os dois compostos bioativos relacionados envolvem a sobrevida do retalho envolvem o alfa-pineno e cineol. 

Ação nas Doenças Cutâneas 

Além das propriedades listadas anteriormente o alecrim se relacionou positivamente no tratamento de várias doenças da pele. Dentre elas podemos destacar o tratamento da alopécia acelerada, uma doença autoimune que afeta os folículos com consequente queda de cabelo, no qual o uso do óleo essencial de alecrim conseguiu melhorar a microcirculação ao redor do folículo piloso.

Por outro lado, a superexposição aos raios UVB causa estresse oxidativo e danos ao DNA, resultando em uma maior probabilidade de desenvolver diferentes tipos de câncer cutâneo, incluindo câncer de pele não melanoma e melanoma maligno. Com isso, o carnosol tem mostrado um potencial efeito na quimioprevenção do câncer de pele não melanoma induzido por luz UVB. Resumidamente, o carnosol, composto do alecrim, associou-se a uma redução parcial nas espécies reativas de oxigênio induzidas por UVB e subsequentemente em uma redução no dano ao DNA. 

Prática Clínica

Por fim, é evidente que uma atenção considerável tem sido dada às plantas com potencial para atividades terapêuticas. Entre elas o alecrim, que  além de bastante conhecido é amplamente investigado por apresentar cada vez mais resultados promissores por sua atividade antioxidante e anti-inflamatória. Outrossim, metas ainda devem ser atingidas como mais estudos direcionados para a expansão de ensaios clínico, bem como buscando estabelecer dosagens terapêuticas dessa planta ou de seus elementos bioativos, os quais ainda não são estabelecidos. 

Referências Bibliográficas

Artigo Artigo alecrim: Li Pomi F, Papa V, Borgia F, Vaccaro M, Allegra A, Cicero N, Gangemi S. Rosmarinus officinalis and Skin: Antioxidant Activity and Possible Therapeutical Role in Cutaneous Diseases. Antioxidants. 2023; 12(3):680. https://doi.org/10.3390/antiox12030680

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