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Programas de Perda de Peso: Vale a pena?

Os programas comerciais de perda de peso tornaram-se cada vez mais populares e agora existem algumas evidências publicadas documentando sua eficácia, sendo demonstrado existir uma perda de peso clinicamente significativa para todas as dietas que seguem tal modelo. 

Entretanto, uma vez que o profissional decide trabalhar com este tipo de serviço, o mesmo deve conscientizar-se que a perda de peso média, já retratada na literatura para esses programas variam entre 5,9 kg a 8 kg e sendo diretamente proporcionais ao tempo do programa. Ou seja, existe uma natureza um tanto quanto enganosa que certos profissionais cometem ao relatar apenas a perda de peso média ou ainda evidenciar a minoria que consegue perder mais de 20 kg, enquanto alguns realmente ganham peso usando a mesma dieta. Portanto, antes da eficácia e lucratividade, aja com ética e responsabilidade. 



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Fator Adesão 

É sabido que a perda de peso melhora quase todas as comorbidades e marcadores metabólicos relacionados à obesidade, independentemente da composição de macronutrientes da dieta, mas os indivíduos variam em preferências e capacidade de aderir a diferentes dietas, sendo este o fator mais importante para o sucesso da intervenção dietética. Dessa forma, os programas de perda de peso utilizam dessas estratégias para otimizar a adesão do paciente à dieta, aliado a técnicas a fim de aprimorar o contato entre profissional e paciente para assim garantir mudança comportamental através de conexão e sustentada em apoio. 

Sendo assim, de um modo geral, o status do peso corporal depende de uma interação complexa entre 3 forças poderosas – o ambiente em que vivemos, nossos genes e nossos comportamentos, obrigatórios ou escolhidos em relação à alimentação e exercícios. A genética não pode ser alterada, mas a epigenética pode. Embora a modificação do ambiente alimentar seja mais eficaz em termos de prevenção, é improvável que ocorra em breve, portanto, a intervenção dietética continua sendo a pedra angular do manejo. 

Contribuição do Ambiente Obesogênico 

Embora a adesão ao plano alimentar seja uma questão separada, a ingestão de energia em nível populacional permanece muito alta, não por deficiência de conhecimento, mas por causa de mudanças substanciais no preço, disponibilidade e comercialização de alimentos. Estes fatores criaram um ambiente ‘obesogênico’, onde as pessoas são constantemente bombardeadas por “oportunidades para comer” que são trabalhadas em cima de um marketing agressivo, como o observado nos aplicativos de delivery onde se tem, predominantemente, lanches com alto teor de açúcar e gordura. 

Além disso, surge um mundo que em função da agitação  vivencia o colapso da comida caseira, os indivíduos estão se tornando cada vez mais dependentes de refeições processadas com alta densidade energética, levando consequente aumento da obesidade.

Programas de Perda de Peso na Prática Clínica 

A literatura científica já conta com linhas de pesquisa voltadas à compreensão dos programas comerciais de controle de peso como artifício para fornecer ao público com sobrepeso e obesidade, os melhores resultados de perda de peso e custo-benefício quando comparados às alternativas existentes baseadas em cuidados primários. 

Neste contexto, um estudo foi capaz de demonstrar que uma população acima do peso que adotou aos programas comerciais, obteve-se que trinta e um por cento perderam > 5% do peso corporal em um ano e tiveram 3 vezes mais chances de atingir essa meta do que aqueles que frequentaram programas de controle de peso baseados no Serviço Nacional de Saúde.  

Além disso, as taxas de abandono ficam entre 30%–40% nos programas e mais altas na atenção primária. Isso pode ser explicado pelo fato das intervenções comerciais serem baseadas em contato frequente e semanal que, por si só, pode ter impactado positivamente no sucesso do resultado e facilitado um maior engajamento e adesão à mudança do estilo de vida.

Considerações Importantes para Programas de Perda de Peso

Embora, anteriormente, os programas comerciais não eram baseados em evidências e, com isso, não eram valorizados juntamente com as intervenções médicas de controle de peso. O cenário atual traz modificações neste cenário que exige que o profissional da área da saúde se inove.  

Visto que, ao considerar que a fome possa ser um problema para alguns, os substitutos de refeição tendem a superar os planos de dieta com controle de calorias porque há menos margem de erro e menos tomada de decisão necessária por parte do paciente. Portanto, para este contexto, uma abordagem simplista geralmente funciona melhor, especialmente em pessoas que não possuem habilidades culinárias. 

Ademais, é importante salientar que a rápida perda de peso precoce tem sido o mais forte indicador de sucesso a longo prazo. Pois existem metanálises robustas que demonstram claramente que dietas com baixa ingestão de carboidratos ou com maiores déficits de energia, são mais eficazes do que as dietas padrão para que o paciente alcance perda de peso superior e, ainda mais importante, manutenção em comparação com todas as outras intervenções dietéticas. 

Por fim, existem vários componentes de programas de manutenção eficientes para serem utilizados na prática. Incluindo, dentre eles, contato profissional contínuo, indicação de aumento da atividade física, uso contínuo de substitutos de refeição, uso de medicamentos anti-obesidade e a estruturação de ‘planos de resgate’ opcionais incorporando curtos períodos de adesão à dieta mais restritiva em caso de recuperação de peso.

Referências Bibliográficas 

Assista ao vídeo na plataforma da Science Play: Organizando programas de emagrecimento para consultorias on-line

Thom G, Lean M. Is There an Optimal Diet for Weight Management and Metabolic Health? Gastroenterology. 2017 May;152(7):1739-1751. doi: 10.1053/j.gastro.2017.01.056. Epub 2017 Feb 15. PMID: 28214525.

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