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Síndrome dos Ovários Policísticos e Endometriose: Abordagens Terapêuticas com Prescrição Magistral

O número de pessoas com diagnóstico de endometriose chegou a 200 milhões de mulheres e ainda não se sabe muito bem o que está por trás do aumento da frequência da doença, mas há suspeitas. Sabe-se que ela é uma doença estrogênio-dependente, inflamatória e imunológica; que pode alterar a  sobrevivência celular e apoptose. Essas células se comportam muito semelhante à células cancerígenas, por conta da sua capacidade de multiplicação.


Nesse contexto, é importante considerar o papel dos estrogênios no ciclo menstrual. Antes da ovulação, há um aumento significativo nos níveis de estradiol, que muitas vezes ultrapassam os valores de referência laboratorial. Entre os três principais tipos de estrogênios - estradiol, estrona e estriol -, o estradiol se destaca por sua alta atividade, enquanto a estrona possui uma atividade intermediária e o estriol é menos ativo.


Nutrientes Importantes


A suplementação com N-Acetil-Cisteína (NAC) pode resultar em diversos benefícios, incluindo a redução da dismenorreia e a diminuição do uso de anti-inflamatórios, além de promover o aumento da glutationa, que é um poderoso antagonista da ferroptose. A dose recomendada é de 600 mg, e o produto é isento de lactose, sendo as cápsulas incoloros. Recomenda-se tomar após o desjejum, com até três doses por dia.


Por outro lado, o Resveratrol possui diversos benefícios, incluindo a diminuição da expressão do Fator de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF) e do Fator de Necrose Tumoral (TNF), que estão associados à atividade inflamatória, além de promover uma melhora significativa no endométrio feminino e redução do estresse oxidativo. Recomenda-se consumir na forma de Trans-resveratrol, em doses entre 200 mg e 400 mg por dia, sendo importante notar que doses mais elevadas podem causar diarreia. É aconselhável tomar após o desjejum.


Existe uma forte relação entre endometriose e disbiose intestinal, embora as causas exatas dessa conexão ainda não sejam totalmente compreendidas. Portanto, é crucial tratar e cuidar da disbiose intestinal. Nesse contexto, o uso de probióticos pode ser benéfico, fornecendo um apoio importante para enfrentar essa condição.


Por fim, ácidos graxos, como o ômega 3, têm demonstrado resultados positivos no controle do quadro inflamatório associado à endometriose. Recomenda-se uma dose de 1g de EPA em cápsulas softgel, a ser tomada junto ao almoço ou jantar diariamente, durante um período de 30 dias.


Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) 


A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) afeta cerca de 6% da população mundial e é diagnosticada com base na presença de cistos nos ovários, hiperandrogenismo (níveis alterados de androgênios), oligomenorreia e infertilidade nos fenótipos. Suas possíveis causas incluem predisposição genética, exposição a toxinas ambientais, além de dieta e estilo de vida.


Para o tratamento da SOP, existem possíveis fatores. O primeiro deles é a prescrição de 50% de CHO na dieta de mulheres que apresentam SOP. Além disso, é necessário tratar resistência à insulina, incluindo exercício resistido e aeróbico, junto com o melhoramento do balanço hormonal. 


Estudo de Caso


Para concluir, a palestrante compartilhou seu próprio caso clínico, destacando que era uma mulher com três diagnósticos de infertilidade, mesmo tendo um baixo percentual de gordura e sendo fisicamente ativa. Apesar desses aspectos, seu ovário não funcionava adequadamente, não ovulava e não menstruava sem o uso de anticoncepcionais ou hormônios.


Para o tratamento, foram empregados os seguintes fitoterápicos:


Alcaçuz - O suplemento mostrou-se eficaz na redução de cistos uterinos e no gerenciamento do estresse. Ele possui a capacidade de estimular efeitos estrogênicos, atividade da aromatase e redução do hirsutismo. A suplementação foi administrada por meio de extrato seco de Glycyrrhiza glabra, com dose de 250mg, em forma de celulose microcristalina.


Vitamina D - Demonstra influenciar a regulação do ciclo menstrual e o controle dos níveis de androgênio, além de impactar a taxa de parto prematuro. Parece também melhorar a secreção de insulina, o estresse oxidativo e a regulação do cálcio, o que pode ser relevante em casos de baixa disponibilidade desse mineral que podem gerar infertilidade. A dose recomendada é de 4.000UI por dia, preferencialmente na forma de softgel, e deve ser tomada após o desjejum. No entanto, pacientes que têm bastante exposição solar podem não necessitar de suplementação.


Inositol - Mostra-se capaz de regular o ciclo menstrual e diminuir o hiperandrogenismo, incluindo a testosterona total e livre. O corpo produz naturalmente inositol, mas também é adquirido pela dieta, em torno de 1g. Além disso, pode melhorar a atividade do FSH e da aromatase. A dose recomendada é de 2.000mg, administrada através de celulose microcristalina, e deve ser tomada uma vez ao dia após o desjejum, por um período de 30 dias. No caso clínico abordado, esse nutriente foi considerado o mais importante para o tratamento.


Prática Clínica


Estratégias nutricionais podem desempenhar um papel crucial no gerenciamento desses casos. A suplementação com N-Acetil-Cisteína e Resveratrol mostrou-se benéfica na redução dos sintomas, enquanto o cuidado com a disbiose intestinal e o uso de ômega 3 demonstraram efeitos positivos no controle do quadro inflamatório. Em relação à Síndrome do Ovário Policístico (SOP), intervenções dietéticas, como a redução do consumo de carboidratos e o tratamento da resistência à insulina, são fundamentais. Estudos de caso destacam a eficácia de fitoterápicos como alcaçuz, vitamina D e inositol no manejo dos sintomas e na promoção da fertilidade, ressaltando a importância da abordagem integrativa na prática clínica nutricional.


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Referências Bibliográficas


HAN, Yixian; CAO, Qi; QIAO, Xinyu; HUANG, Wei. Effect of vitamin D supplementation on hormones and menstrual cycle regularization in polycystic ovary syndrome women: a systemic review and meta⠰analysis. Journal Of Obstetrics And Gynaecology Research, [S.L.], v. 49, n. 9, p. 2232-2244, 26 jun. 2023. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/jog.15727.

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