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Síndrome metabólica e microbiota


Você sabe o que é a Síndrome Metabólica?


Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Síndrome Metabólica é diagnosticada na presença de pelo menos três dos cinco critérios abaixo:

  • Obesidade central - caracterizada por valores de circunferência da cintura > 88cm em mulheres e > 102 cm homens;

  • Hipertensão arterial

  • Glicemia alterada ou diagnóstico de diabetes tipo 2

  • Triglicerídeos > 150 mg/dl

  • Valores de HDL < 40 mg/dl em homens e < 50 mg/dl em mulheres.

Na presença desses critérios metabólicos, algumas condições patológicas em sistemas corporais podem vir a se manifestar, como a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica, doenças cardiovasculares e outras condições que estão associadas à inflamação crônica de baixo grau que se “esconde” por trás dessas alterações metabólicas.


E onde a microbiota entra nessa relação?


Os principais fatores considerados como causais na disrupção da homeostase metabólica - a dieta e o estilo de vida - são também importantes moduladores da composição do microbioma. As espécies presentes na microbiota, assim como os metabólitos produzidos por elas, podem exercer efeito protetor contra as desregulações metabólicas que caracterizam a SM, ou contribuírem para o seu desenvolvimento: isso depende se a sua atuação é no sentido de controlar ou estimular a resposta inflamatória sistêmica.


Vamos falar dos ácidos graxos de cadeia curta, por exemplo. Produzidos por bactérias presentes na microbiota a partir da fermentação de carboidratos não digeríveis, popularmente conhecidos como fibras, esses metabólitos exercem papel no estímulo para a síntese intestinal de PYY e GLP-1, hormônios que atuam na que promoção da saciedade, auxiliando a controlar o peso.


Além disso, essas substâncias são importante fonte energética para as células do intestino e para a secreção de GLP-2, que atua na manutenção da integridade da barreira intestinal e é fundamental para evitar a endotoxemia. Esse quadro, marcado pela presença de substâncias não próprias - principalmente advindas de bactérias patogênicas - no sangue é um estado de inflamação crônica de baixo grau, especialmente nos tecidos hepático e adiposo.


Esse contexto inflamatório está associado ao desenvolvimento da resistência à insulina, dislipidemia e outras condições da SM. E o gatilho inicial pode ser justamente um intestino mais permeável, resultante de uma disbiose da microbiota incapaz de produzir os metabólitos necessários para a proteção metabólica do hospedeiro.


Outro ponto de conexão: o ciclo circadiano (do hospedeiro e das bactérias)


O ciclo de claro - escuro (dia - noite) exerce um papel importante na manutenção da ritmicidade de uma gama de funções metabólicas que precisam estar alinhadas para garantir a homeostase do organismo. Uma forma de entender o alinhamento circadiano é pensar que determinadas funções do corpo, no momento adequado, acontecem com mais eficiência. E para esse alinhamento acontecer, temos um comandante central no cérebro, o Núcleo Supraquiasmático, que orquestra os relógios periféricos das demais células.


Não só noites de sono mal dormidas desregulam o nosso “relógio biológico”, mas o horário e composição das refeições também têm um impacto importante na sincronização do funcionamento orgânico. Hábitos alimentares inadequados podem contribuir com a perda da ritmicidade entre os relógios periféricos e o comandante central, o que possui forte associação com a perda de homeostase do metabolismo, podendo levar ao ganho de peso e ao maior risco para desenvolver os outros componentes da SM.


Assim como as nossas células humanas possuem essa programação circadiana, as bactérias da microbiota também possuem seus próprios ritmos, como por exemplo, para a síntese de metabólitos. Como esses metabólitos dependem da dieta do hospedeiro, fica claro perceber que, em uma via de mão dupla, a ritmicidade da microbiota influencia e sofre influência do ciclo circadiano do hospedeiro. Logo, a disrupção circadiana pode provocar alterações na composição e funcionalidade da microbiota, facilitando quadros de disbiose que, como vimos, possuem estreita relação com a SM.


E as conexões da microbiota com as doenças metabólicas não param por aí! Se você quiser aprender com mais detalhes como essa conversa acontece, não deixe de baixar o ebook que preparamos: A relação da Microbiota com as Doenças Metabólicas. Clique aqui para baixá-lo!


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Referências bibliográficas

Croci S, D'Apolito LI, Gasperi V, Catani MV, Savini I. Dietary Strategies for Management of Metabolic Syndrome: Role of Gut Microbiota Metabolites. Nutrients. 2021 Apr 21;13(5):1389. doi: 10.3390/nu13051389.


Dabke K, Hendrick G, Devkota S. The gut microbiome and metabolic syndrome. J Clin Invest. 2019 Oct 1;129(10):4050-4057. doi: 10.1172/JCI129194.


Bishehsari F, Voigt RM, Keshavarzian A. Circadian rhythms and the gut microbiota: from the metabolic syndrome to cancer. Nat Rev Endocrinol. 2020 Dec;16(12):731-739. doi: 10.1038/s41574-020-00427-4.


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