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Tratamento Medicamentoso da Obesidade: Uma visão crítica

O tratamento medicamentoso da obesidade levanta questionamentos. Atualmente, a luta contra a obesidade tem impulsionado avanços notáveis no campo da medicina, com uma gama de medicamentos emergindo no mercado brasileiro, e internacional, para auxiliar aqueles que buscam gerenciar seu peso. 

Dentre os principais fármacos disponíveis, destacam-se aqueles que atuam na regulação do apetite e no metabolismo. Nomes como Orlistat, que age inibindo a absorção de gorduras, e Liraglutida, que em alguns casos age no controle da saciedade e ajuda a controlar os níveis glicêmicos, têm ganhado destaque nas prateleiras das farmácias e consultórios médicos. Entretanto, mesmo com a promessa de alívio proporcionada por esses medicamentos, um questionamento central emerge: até que ponto eles podem ser considerados a solução definitiva para a Pandemia de obesidade? 

Enquanto essas substâncias oferecem uma abordagem farmacológica importante no manejo do sobrepeso, a verdadeira transformação parece residir em mudanças de estilo de vida sustentáveis. Entre eles, destaca-se a nutrição balanceada, prática regular de atividade física e hábitos saudáveis, que continuam a ser os pilares fundamentais para o controle de peso a longo prazo. Nesse contexto, a reflexão sobre a relação entre a conveniência dos medicamentos e a necessidade de hábitos saudáveis torna-se vital para uma abordagem eficaz e abrangente do problema central da obesidade. 



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Os fármacos para obesidade são o tratamento definitivo?

Recentemente, a projeção da World Obesity em 2023 espera que 41% da população brasileira esteja obesa em 2035. Dessa forma, percebe-se que continuamos a tratar essa doença da mesma forma há muito tempo e o resultado final é sempre o mesmo. Infelizmente, muitos resumem o tratamento da obesidade a “comer menos e gastar mais”, ou “falta de vergonha na cara” e ainda, “ a prescrição de algum medicamento”. 

Este último é um dos mais desamparados, pois o paciente inicia o tratamento mas em algum momento ele perde o seguimento e interrompe o uso por conta própria. De certa forma, ainda falta respaldo das autoridades brasileiras em permitirem a venda de medicamentos como o Ozempic sem prescrição médica. 

Medicações para Obesidade na Literatura

Recentemente o estudo “Novel Anti-obesity Therapies and their Different Effects and Safety Profiles: A Critical Overview”, publicado na revista Diabetes, Metabolic Syndrome and Obesity: targets and therapy, define que a obesidade tornou-se uma pandemia e seu tratamento está em constante evolução. Por isso, além de dieta e exercícios, medicação e cirurgia são outras opções válidas. Em seguida, após decepcionantes efeitos colaterais de vários medicamentos para obesidade, novos tratamentos mostraram resultados promissores.

Este artigo de revisão discutiu as seguintes drogas anti-obesidade: Liraglutida, Semaglutida, Tirzepatide, Orlistat, bem como o combinações de Fentermina/Topiramato (algumas não disponíveis no mercado brasileiro) além de Bupropiona/Naltrexona. Todos os medicamentos foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) para redução de peso, exceto o Tirzepatide, que ainda está em avaliação de eficácia e perfil de segurança. Felizmente, estes medicamentos contribuem para o controle da obesidade e reduzem as complicações associadas a essa doença crônica.

Antes considerada uma doença dos países industrializados, sabe-se agora que, devido à diminuição no valor nutricional de alimentos de baixo custo e falta de exercícios físicos, a obesidade pode afetar tanto os subdesenvolvidos quanto os em desenvolvimento. Certamente, à medida que a pandemia de obesidade cresce, ela se torna mais cara. 

Medicação para Obesidade vs. Estilo de Vida

Por isso, o tratamento medicamentoso da obesidade vive uma realidade paradoxal. Por um lado, embora existam várias opções terapêuticas para tratar as doenças relacionadas à obesidade, nenhum deles pode solucionar o principal problema que é a mudança do estilo de vida. Por isso, lembre-se desse mantra: o tratamento da obesidade sempre começa com mudanças no estilo de vida, uma dieta mais saudável e uma rotina de exercícios moderados. 

No entanto, embora estudos randomizados com as medicações aprovadas tenham mostrado mais de 8% de redução no peso no primeiro ano, outros dados cumulativos mostram que a maioria dos pacientes não consegue manter esse estilo de vida e mais da metade do peso perdido foi recuperado em dois anos. Lamentavelmente, ainda não há medicamentos que mudem o estilo de vida do seu paciente. 

Inquestionavelmente, a descoberta de novas drogas contra a obesidade foram desenvolvidas e os agonistas do GLP-1 demonstram sucesso consistente. Novos agentes que usam vias farmacológicas semelhantes abrirão caminho para maior perda de peso com a medicação e seus resultados podem até ser comparáveis com a cirurgia bariátrica. Com isso, os medicamentos de via subcutânea podem ser menos tolerados quanto a efeitos adversos do que os tratamentos orais, porém tanto a eficácia quanto o perfil de segurança parecem superiores aos tratamentos orais. 

Prática Clínica

Por isso, o remédio é para ser usado, mas fica o alerta de que ele não resolve o problema central da ópera. E com certeza, uma maior implementação dessas drogas diminuirá a carga global de obesidade e com isso todas as outras doenças crônicas associadas a essa doença.

A promessa inicial das medicações contra a obesidade está ancorada na esperança de uma solução rápida e eficaz para um problema que muitos enfrentam com consternação. No entanto, o questionamento que surge é se, ao focar exclusivamente na perda de peso, estamos negligenciando o elemento fundamental para o sucesso a longo prazo: a mudança de estilo de vida. As medicações podem fornecer um impulso inicial, mas sem uma abordagem holística que incorpore a adoção de hábitos saudáveis e sustentáveis, os ganhos alcançados muitas vezes se dissipam.

A batalha contra a obesidade não é meramente uma corrida pela redução de números na balança. É uma jornada contínua e complexa que requer a construção de uma relação positiva com a alimentação, a promoção de atividades físicas e a adoção de padrões de vida saudáveis e de longo prazo. 

Referência Bibliográfica

Artigo: CAKLILI, Ozge Telci; CESUR, Mustafa; MIKHAILIDIS, Dimitri P; RIZZO, Manfredi. Novel Anti-obesity Therapies and their Different Effects and Safety Profiles: a critical overview. Diabetes, Metabolic Syndrome And Obesity, [S.L.], v. 16, p. 1767-1774, jun. 2023. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.2147/dmso.s392684. 

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