top of page

Impacto do Estado Nutricional na Saúde Reprodutiva Feminina

As conexões entre estilo de vida, saúde reprodutiva e fertilidade tem ganhado destaque. Nos últimos anos, em meio a mudanças sociais, tem-se observado uma tendência crescente em adiar a maternidade, com muitas mulheres optando por esperar até seus 30 ou 40 anos para ter o primeiro filho. Além disso, um número crescente de casais está sendo diagnosticado com infertilidade ou condições que dificultam a gravidez.

 

A Organização Mundial da Saúde define infertilidade como uma "doença do sistema reprodutivo masculino ou feminino definida pela incapacidade de alcançar uma gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares e desprotegidas". A infertilidade afeta entre 15% e 20% dos casais em idade reprodutiva em países desenvolvidos, e na Espanha, um em cada seis casais enfrenta problemas de fertilidade.

 

Vários estudos têm mostrado que um IMC fora da faixa normal afeta a capacidade reprodutiva feminina. A obesidade está associada a distúrbios menstruais, anovulação, hirsutismo e taxas mais altas de aborto espontâneo e infertilidade. A relação entre obesidade e resistência à insulina é outro mecanismo fisiológico que impacta a capacidade reprodutiva, já que mulheres obesas são propensas a inflamação crônica de baixo grau e resistência à insulina, ambas associadas a uma função reprodutiva prejudicada e abortos tardios após a tecnologia de reprodução assistida. Leia abaixo para entender melhor a relação entre nutrição e saúde reprodutiva.

 

Saúde Reprodutiva e Estado Nutricional na Literatura

 

Em uma recente revisão sistemática, cinco estudos evidenciaram que um IMC elevado estava correlacionado com uma reserva ovariana diminuída, com base em níveis de hormônio anti-Mülleriano (AMH) sérico abaixo do normal ou contagem folicular antral (AFC) reduzida. Além disso, dois estudos sugeriram uma possível associação positiva entre um perfil cardiometabólico saudável e os níveis de AMH, enquanto estudos específicos sobre mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) destacaram diferenças na reserva ovariana entre aquelas com IMC alto e normal, fornecendo insights importantes sobre as interações complexas entre IMC, saúde metabólica e reserva ovariana.

 

Essas descobertas sublinham a importância de considerar o peso corporal e a saúde metabólica na avaliação da reserva ovariana e sua relação com a fertilidade, especialmente em grupos específicos como mulheres com SOP. A compreensão dessas relações pode auxiliar em abordagens mais personalizadas para o manejo da fertilidade e na identificação de potenciais fatores de risco, destacando a necessidade contínua de pesquisas longitudinais para esclarecer ainda mais essas associações e seus impactos clínicos.

 

Conclusão

 

Desse modo, é possível identificar a relação entre o estado nutricional e a reserva ovariana em mulheres em idade reprodutiva. Dos vinte estudos analisados, onze demonstraram níveis mais baixos de AMH em mulheres obesas. Cinco estudos incluíram o IMC como um fator de confusão, enquanto os outros seis não encontraram evidências de que o estado nutricional influenciasse a reserva ovariana.

 

As descobertas acima estão em linha com estudos anteriores que também observaram uma correlação negativa entre IMC e AMH em mulheres de idade reprodutiva tardia. Vários estudos destacaram uma redução nos níveis de AMH em mulheres obesas em comparação com aquelas com peso normal, juntamente com uma diminuição na qualidade e na contagem folicular antral. Além disso, a revisão destaca a influência da síndrome metabólica na fertilidade feminina, com sugestões de que pode afetar a receptividade endometrial e a qualidade dos oócitos e embriões.

 

Prática Clínica

 

A prática do médico na área de saúde reprodutiva deve considerar atentamente a relação entre estilo de vida, estado nutricional e fertilidade. Com a crescente tendência de adiar a maternidade e o aumento dos diagnósticos de infertilidade, é fundamental entender como o índice de massa corporal (IMC) e a saúde metabólica influenciam a reserva ovariana e, por consequência, a capacidade reprodutiva das mulheres.


Continue Estudando...

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

PRIETO-HUECAS, Laura; PIERA-JORDÁN, Clara Ángela; LACRUZ-DELGADO, Verónica Serrano de; ZARAGOZA-MARTÍ, Ana; GARCÍA-VELERT, María Belén; TORDERA-TERRADES, Cristina; SÁNCHEZ-SANSEGUNDO, Miriam; MARTÍN-MANCHADO, Laura. Assessment of Nutritional Status and Its Influence on Ovarian Reserve: a systematic review. Nutrients, [S.L.], v. 15, n. 10, p. 2280, 12 maio 2023. MDPI AG.

Comentarios


bottom of page