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Nutrição na Mulher Atleta

São claras as diferenças fisiológicas entre o homem e a mulher atleta. No que se trata do sexo feminino, é necessário entender suas complexidades específicas que se fazem ainda maior quando se pensa na prática de exercícios. Assim, o nutricionista deve se atentar a diversos outros contextos da paciente como qual o tipo de exercício, volume, intensidade, objetivo, etc.

Além disso, há questões que envolvem TPM, família, doenças, genética e fatores ambientais, assim como relacionamento, finanças, etc. Por isso, devemos compreender as mudanças fisiológicas na mulher a fim de otimizar as estratégias nutricionais escolhidas. 



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Mulher Atleta e o Ciclo Menstrual

Na fase folicular do ciclo menstrual ocorre o desenvolvimento e maturação folicular, com predomínio do estrogênio. Dessa forma, é possível observar menor oxidação de gordura, proteína e carboidrato, além de menores estoques de glicogênio o que torna bem-vindo o aumento da oferta de carboidrato nessa fase

Na fase lútea, o folículo se transforma no corpo lúteo. Portanto, há o predomínio da progesterona na corrente sanguínea. Além disso, ao contrário do que é comumente pensado, as concentrações de estradiol são maiores nesta fase. No entanto, o aumento da progesterona antagoniza algumas das ações do estradiol, como a maior oxidação de gordura e proteína, bem como menor oxidação de carboidratos e, consequentemente, maior estoque de glicogênio.

Estradiol no Metabolismo Energético da Mulher Atleta

O estradiol atua na promoção de maior resistência, armazenamento de glicogênio, força muscular e oxidação de gordura, bem como menor taxa de glicogênese e quebra de aminoácidos. Além disso, também associa-se a sensibilização da recompensa.

Nesse contexto, vale ressaltar a importância do estradiol na neurologia, visto que apresenta-se como regulador da cognição e estado de alerta, há também estudos que apontam seu papel induzindo maior disponibilidade de serotonina, expressão de BNDF e de diferentes enzimas antioxidantes

Em contrapartida, a queda de estrogênio resulta em consequências como menores níveis de serotonina e melatonina. Sendo que, esta última reflete em má qualidade de sono do indivíduo, isso explica o porquê durante a fase lútea, mulheres apresentam queixas de insônia, diminuição do desejo sexual, piora na cognição e aumento do estresse e ansiedade.

Progesterona no Metabolismo Energético na Mulher Atleta

A progesterona está associada ao aumento da desidratação, temperatura corporal e maior tensão cardiovascular. Além disso, também possui relação com o aumento da atividade opióide, o que antagoniza os efeitos do estradiol e, consequentemente, refletem em mudanças no comportamento sexual e dessensibilização da recompensa (maior craving).

No mais, no que se trata de hormônios relacionados ao ciclo menstrual, é preciso atentar-se pois altos níveis de estrogênio gera uma fraqueza mecânica nos ligamentos e alterações no metabolismo ligamentar, o que gera aumento da probabilidade de lesão articular

Anamnese na Mulher Atleta 

Diante de todo o cenário descrito, deve-se atentar a alguns pontos específicos na anamnese da paciente como sinais e sintomas, exames bioquímicos alterados, alterações comportamentais, queda de performance e composição corporal. 

Dessa forma, a avaliação da paciente deve ser feita de forma a aliar nutrição clínica e esportiva. A fim de gerar uma anamnese cada vez mais personalizada e individualizada, gerando uma diferenciação para o profissional.

Prática Clínica

Fica claro, portanto, a importância do plano alimentar nesse contexto. Dessa forma, o nutricionista deve estar atento aos valores de referência dos exames bioquímicos, deve-se levar em consideração a clínica apresentada pela paciente. Estando o profissional sempre atento ao fato de que os resultados dos exames mudam durantes as fases do período menstrual, isto é, exames em períodos diferentes, terão diferenças nos resultados. Além de realizar uma adequação de macronutrientes e micronutrientes no plano alimentar, priorizando periodizações com estratégias voltadas para imunonutrição e saúde intestinal.

Referências Bibliográficas

Assista ao vídeo na plataforma Science Play – Saúde da Mulher Atleta

STRASSER, Barbara; PESTA, Dominik; RITTWEGER, Jörn; BURTSCHER, Johannes; BURTSCHER, Martin. Nutrition for Older Athletes: focus on sex-differences. Nutrients, [S.L.], v. 13, n. 5, p. 1409, 22 abr. 2021. MDPI AG. 

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