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Qual o impacto do consumo de cafeína na endometriose?

A endometriose é uma condição de saúde que ainda não teve suas causas completamente esclarecidas, e sua diversidade clínica sugere uma origem multifatorial. Uma revisão sistemática e meta-análise recente, avaliou estudos que investigam a associação entre o consumo de cafeína e a presença de endometriose. Os resultados obtidos são importantes para a compreensão dessa relação e podem auxiliar na orientação de hábitos de consumo para mulheres em risco.


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Endometriose e Cafeína na Literatura Científica 


Para realizar essa análise, foram selecionados estudos humanos que abordassem a associação mencionada. A busca abrangeu as bases de dados do PubMed e Scopus, visando obter resultados representativos. Ao todo, dez estudos foram incluídos na meta-análise, sendo cinco de coorte e cinco de caso-controle.


Os resultados obtidos não apresentaram associação estatisticamente significativa entre o consumo geral de cafeína e o risco de endometriose em comparação com mulheres que consomem pouca ou nenhuma cafeína (menos de 100 mg/dia). No entanto, quando foram realizadas análises por estratificação de níveis de consumo, o alto consumo de cafeína (>300 mg/dia) mostrou-se associado a um aumento no risco de endometriose. Por outro lado, o consumo moderado (100-300 mg/dia) não apresentou significância estatística.


É importante salientar que esses resultados devem ser interpretados com cautela, devido ao alto risco de viés e heterogeneidade entre os estudos analisados. Embora haja uma associação entre alto consumo de cafeína e endometriose, não podemos inferir causalidade, pois a cafeína pode servir como um indicador de outros fatores de confusão não identificados. Para melhor compreender essa relação e determinar o papel exato da cafeína na fisiopatologia da endometriose, são necessários estudos clínicos bem projetados.


Consumo de Cafeína e Endometriose 


O consumo de cafeína não parece estar associado a um aumento do risco de endometriose em geral. No entanto, o alto consumo de cafeína (>300 mg/dia) pode ser possivelmente associado à doença. É fundamental salientar que os resultados encontrados necessitam de mais pesquisas para elucidar a possível relação dose-dependente entre a cafeína e a endometriose, bem como entender melhor o papel dessa substância na patofisiologia da condição. Portanto, é recomendado que mulheres em risco ou com histórico de endometriose consultem seus médicos para uma avaliação personalizada sobre o consumo de cafeína. Além disso, incentiva-se o desenvolvimento de novos estudos robustos para avançar no conhecimento sobre essa questão de saúde tão relevante para muitas mulheres.


Prática Clínica 


Na literatura não foi encontrada uma ligação estatisticamente significativa entre o consumo geral de cafeína e o risco de endometriose. No entanto, os profissionais de saúde devem estar atentos aos achados que sugerem uma possível relação entre altos níveis de consumo de cafeína e o agravamento da doença. Assim, a prática clínica deve considerar uma abordagem individualizada, levando em conta os hábitos de consumo de cafeína das pacientes, ao mesmo tempo em que aguarda evidências adicionais para elucidar completamente essa relação complexa.


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Assista o vídeo na Science Play com Valden Capistrano: Café e Cafeína no Esporte 


Referências Bibliográficas 


Kechagias KS, Katsikas Triantafyllidis K, Kyriakidou M, et al. The Relation between Caffeine Consumption and Endometriosis: An Updated Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2021;13(10):3457. Published 2021 Sep 29. doi:10.3390/nu13103457

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