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Tireoide e Fertilidade: Como se correlacionam?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade é definida como “doença do sistema reprodutivo definida pela incapacidade de obter uma gravidez clínica após 12 ou mais meses de relações sexuais desprotegidas”. Ainda, a OMS estimou que cerca de 1 em cada 6 casais enfrentará problemas relacionados à infertilidade.

Dentre os fatores que dificultam muitos casais de terem seus filhos, a autoimunidade tireoidiana e a disfunção tireoidiana estão presentes. Por isso, como parte de investigação inicial, é realizada a triagem para TSH e anticorpos anti tireoperoxidase (TPO-abs), para identificar qualquer problema de saúde relacionado à tireoide. Para entender mais como a tireoide se correlaciona com a fertilidade, leia abaixo!



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Distúrbios da Tireoide e Infertilidade Feminina

Dados epidemiológicos têm mostrado uma alta prevalência de distúrbios da tireoide em mulheres em idade reprodutiva, com cerca de 2% a 4% apresentando hipotireoidismo. Assim, a importância dos hormônios tireoidianos ganhou destaque nas pesquisas. O estudo “Impact of thyroid disease on fertility and assisted conception” de autoria de David Unuane e Brigitte Velkeniers, traz alguns pontos a respeito da relação entre tireoide e fertilidade.

Primeiramente, sabe-se que existem receptores de TSH e do hormônio tireoidiano no tecido de revestimento da superfície ovariana e nos óvulos dos folículos primordiais, primários e secundários. Além disso, os hormônios tireoidianos participam da regulação da função ovariana, estimulando o desenvolvimento dos óvulos e dos embriões.

Ainda, eles alteram a liberação do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), o qual interage com a hipófise, promovendo a liberação de FSH e LH, que irão auxiliar a produção de estrogênio, progesterona e testosterona. Esses são responsáveis pela formação e amadurecimento dos gametas. Por fim, os hormônios tireoidianos também atuam sobre a secreção de prolactina e os fatores de coagulação.

Função da Tireoide na Fertilidade

Por um lado, o hipertireoidismo aumenta os níveis séricos de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). Além disso, a secreção de LH é aumentada em pacientes com a doença em comparação com pacientes eutireoideos. Por conta disso, ele gera ciclos menstruais irregulares, estimulando a ovulação fora da fase adequada.

Em relação ao hipotireoidismo, ele também gera uma série de alterações hormonais, como uma resposta atenuada do LH, prejudicando a liberação de GnRH e, consequentemente, podendo levar à disfunção ovulatória. Além disso, a falta do hormônio T4 ocasiona em uma ovulação irregular, em uma fase do ciclo menstrual não adequada para a fecundação.

Prática Clínica

Portanto, é fundamental que os pacientes procurem orientação médica para a infertilidade, especialmente em exames que avaliam as funções tireoidianas. Assim, a avaliação laboratorial deve incluir ao menos TSH e TPO-abs. Ainda, caso o hipotireoidismo seja confirmado, o tratamento médico deve incluir a reposição do hormônio T4, sendo a dosagem individualizada.

Já em relação ao hipertireoidismo, o tratamento deve auxiliar na diminuição da secreção de hormônios tireoidianos. Assim, utiliza-se fármacos antitireoidianos ou com iodo radioativo, o qual mata parte da tireoide, diminuindo sua produção hormonal.

Referências Bibliográficas

Artigo: UNUANE, David; VELKENIERS, Brigitte. Impact of thyroid disease on fertility and assisted conception. Best Practice & Research Clinical Endocrinology & Metabolism, [S.L.], v. 34, n. 4, jul. 2020. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.beem.2020.101378. 

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